30 julho, 2025

Dos passeios

   Moro num quarteirão caótico, barulhento, cinza e extremamente movimentado do centro (gostaria de dizer que o mercado municipal se salva dessa opinião negativa). Por mais que eu tenha começado a automaticamente ignorar os barulhos de motos, caminhões, obras e pessoas, o silêncio de verdade ainda é um alívio quando o encontro. Tenho alguns lugares específicos onde encontro isso e gosto de estar.
   Ironicamente, se eu ando apenas um quarteirão na direção contrária ao centro, estou em um desses lugares. Árvores, pessoas passeando com seus cachorros, vizinhos conversando, uma sensação de comunidade que chega a ser bizarra para a maioria de nós. Não é muita gente que pode dizer que conversa todo dia com o vizinho, além de um bom dia no elevador (e olhe lá).
    
    Quando tenho a oportunidade, caminho até lá, sento no banco da quadra de tênis (mais uma razão para eu amar o lugar) e passo um bom tempo só ali, sentindo o sol e o ar fresco, o silêncio. Às vezes, por mais de uma hora. Talvez falte levar um livro, já que quase nunca leio mais. É um momento glorioso pra minha cabeça. Consigo pensar em paz. Ou não pensar, em paz. Desintoxicante. 
   Para não dizer que é um tédio, sempre tem algum detalhe interessante o suficiente para me deixar pensativa mas não gritante a ponto de me incomodar. As conversas extensas das senhoras sobre seus cachorros sênior de casaco e coleira decorada. Os pedestres ocasionais. Os tenistas praticando sozinhos ou jogando com os amigos em qualquer horário do dia. 

28 julho, 2025

As lembranças sempre vão parecer melhores que o presente?

 





Por que a nostalgia existe? Eu poderia responder minha própria pergunta com alguns minutos de pesquisa, mas preferi ficar me questionando e escrever isso. 

Acho que o cérebro gostaria que esse desejo de reviver boas memórias faça com que eu busque os meios pra que isso de fato aconteça, mas a realidade é que na maior parte do tempo, eu, (e acho que muita gente) acabo praticando o caminho de ficar infinitamente lembrando, numa paralisia. Horas olhando para o nada. Exercitando o cérebro a tentar lembrar o mais vividamente possível. 

A questão é que inevitavelmente o futuro vai ter momentos que vão gerar nostalgia depois. É circular. Posso estar hoje olhando uma foto de 6 meses atrás na minha galeria, já com um certo sentimento de distância e saudade, sem pensar que daqui 3 meses vou produzir outra destas fotografias e vou me sentir nostálgica sobre essa daqui 1 ano. Então por que ficar presa nessa lembrança infinita?

Saber que coisas boas vão vir não elimina o desejo de voltar no tempo. Deveria? Não sei. É difícil ligar os pontos tão rápido quanto o ritmo em que estou escrevendo esse post.

Talvez exista algo doce nessa coisa de descobrir que seu futuro possivelmente estranho na verdade se tornou um conjunto de boas memórias depois que ele realmente aconteceu. 

20 julho, 2025

Boas vindas/pensamentos iniciais

 Prazer, meu nome é Bia e eu finalmente lembrei que blogs existem.
 
 Vivo reclamando sobre postar meu trabalho no instagram e ter que lidar com uma formatação e algoritmo que não gosto pra esse tipo de coisa. Pensei em fazer um site mais moderno mas essa ideia também não me agradou muito... cá estou eu.

 Minha ideia pra esse blog é basicamente um lugar para postar meu trabalho fotográfico e despejar todas minhas ideias e pensamentos. uma mistura de portfólio/diário pessoal/textos sobre assuntos quaisquer. Orgânico, caseiro. No ensino médio eu passava a maior parte da aula escrevendo ou desenhando em alguns caderninhos que eu levava, era quase um brainstorm. quero algo com essa sensação. 

 Talvez fique um pouco bagunçado e também não sei se alguém vai ler, mas não estou me importando demais com isso, o foco não é esse. 

Assuntos que provavelmente vão estar aqui: fotografia, música, reflexões, jornalismo e muitas aleatoriedades.

Até logo! 😊
   - Bia 

Dos passeios

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